sexta-feira, 1 de abril de 2011

a Cadela

Estive pensando sobre o que é ser uma cadela. Não estou falando do significado óbvio, é claro, mas sim sobre o que é ser cadela no BDSM, nesse universo fetichista.

Antes, pra mim ou para qualquer baunilha, cadela seria muito, mas muito longe de ser comparado a algo bom, que dirá a diferença cadela X Namorada. Hoje já não faço distinção desses termos, considerando a
relação 24/7 em que vivo.






Vi uma vez uma conversas dessas de prache de primeiro encontro online BDSM, entrre as falas tinham aquelas de "estar no cio "sou uma cadela" ou "o senhor meu Dono" e tals. E hoje acho que tudo isso só se diz com muita certeza do que é. É claro que deve-se respeitar quem está do outro lado e se diz Senhor, não importa se ele é realmente ou merece ser chamado assim. Respeito é forma de educação. Mas sobre ser cadela...



Ser cadela é realmente se portar como uma. Como submissa, como escrava, como animal de estimação. Nada mais confortável e mais seguro para mim dizer que sou uma cadela e, hoje sim, me deixa mais feliz do que dizer que sou "uma Namorada". Porque eu não só o acompanho, cuido e sou cuidada por Ele, mas me porto como Ele quer, e OBEDEÇO a ele. Isso é muito mais gratificante, muito mais poderoso do que uma relação de igualdade. Sinceramente, a cada dia que passa, acho namoro uma coisa ridicula.


Tem a coisa da liberdade do Dono. Ah, sim... A linda liberdade-libertinagem. Aliás, bom tema para um próximo texto. Mesmo assim, acho que continuo me portando suficientemente merecedora do meu posto. Como disse uma vez, não sou nenhuma paranoica neste assunto. Até, depois de muita pesquisa e vigilância e chatisses, aceitaria ter uma irmã. Que inclusive adianto, tenho gana de que não seja apenas uma irmã, mas alguém com quem eu dividiria vontades também (...). E eu nunca me portaria superior a ela, a não quer que ela fizesse isso comigo, teríamos uma disputa ferrenha até que Ele ditasse os parâmetros de comportamento. E tenho dito!

Pois é, o ciúme.


Tenho problemas de ciúme que não são aparentes se forem controláveis e aparentemente normais. Esfregar na minha cara uma coisa que mais de uma vez não me agradou, isso me faz virar uma louca-ciumenta. Porque não sou "a cadela" de chat, nem vou me crescer e dizer que sou A cadela (a poderosa, a ponto de ser Dona de SI, porque já fui sim a cadela de chat). Mas, entenda-se que sou a Cadela. Sei bem meu lugar, apesar me me expor neste post com um ego maior do que se deve. Isso escrevo aqui, faço aqui, até porque estou me comparando*. Ser Cadela não é ser namorada, tampouco estar no cio 24 horas por dia, sete dias por semana ou dizer que se gosta de algo apenas porque o dono diz que gosta. é aprender a gostar do que ele gosta, por vontade própria. E é ser muito muito mais que isso, inexpressável em palavras.






*Estou esperando aparecer um bottom para dizer que nunca teve ciúme ou que nunca se comparou com outros do mesmo patamar.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Seu cheiro

 O cheiro sempre foi importante para eu lembrar as pessoas queridas, um perfume, ou algo natural. Mas é a primeira vez que fico tão fascinada com o cheiro de alguém. O cheiro do meu Dono.



E não é de hoje, e não é perfume. Seu cheiro natural me faz pensar que já estou em segurança, já estou em paz, já tenho tudo que preciso. Deitar ao Seu lado, afundar-me num abraço que de tão colado chega a ser forte, numa vontade quase egoísta de Tê-lo só para mim, ali, para o tempo que ele desejar estar comigo, é um dos meus carinhos mais desejados Dele. Só a aproximação, o deixar-se estar ao meu lado, desfilar sua presença só para que eu subentenda que tenho a quem amar, idolatrar, a quem confiar, a quem me entregar.

Tantos idolatram pés, rostos, fala, até o ato da dominação; mas o cheiro é algo que só se tem de perto, só se tem permitido pela aproximação. Antes mesmo de Tê-lo ao meu lado, amava Seu sorriso, Sua escrita, Suas mãos, Sua fala filosófica sobre tudo... Hoje amo tudo isso ainda mais. O cheiro não é absolutamente novo, nada foge do comum, mas é o TEU cheiro. É amor, e fetiche...


By JeH-[Parallax]

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Dias de Chuva


Em dias assim você aprende a aprender de novo. Em dias assim você aprende a amar de novo... (Times Like These - Foo Fighters, tradução própria)

É bem complicado entender o que se passa na minha cabeça. Que dirá o que se passa quando deveria não passar, quando estou bem afim de entrar na Máquina de novo, a passar por lá alguns dias, só para ter mais do que 45 minutos de convivência plena - quebrada, entre um Twitter e outro, mas importante, prestativa, de valor.

Estranho esse sentimento, essa coisa de nunca achar que é suficiente, de nunca achar que serve o que se faz, por mais suor que tenha sido derramado. É um sentimento submisso-autodestrutivo, e não gosto dele; mesmo porque Ele diz não gostar de me ver triste ou chateada por um motivo que não foi proposital. Para falar a verdade meus Ciclos Femininos só pioram isso. Mais uma realidade que eu achei ser mito: a TPM existe.

Um dia aprendi uma fórmula de drenar esses sentimentos negativos que se passam por mim, os sentimentos submissos-autodestrutivos são os de tristeza, que me fazem crer que não mereço estar aqui ao Seu lado, e que se estivesse na Máquina seria melhor recepcionada. Sentimentos egoístas na verdade. Combater meu egoísmo é muito simples: fazer coisas por Ele. Para ajudar agora ou daqui alguns dias. São sentimentos de culpa porque não devia pensar assim. É um estado de espírito completamente ruim.

Que atire a primeira pedra uma sub que não se sentiu capaz, ou que se sentiu culpada por ter dito um não ou dois ao seu Dono; que se sentiu triste por saber que seus serviços (qualquer um, pegar um copo d´água que seja) não são necessários, que sua presença aquela hora não é útil. Mas submissa e inteligente é a cadela que fica, sentada e atenta ao primeiro pedido, nem que este pedido seja um "suma daqui". O que eu tenho de aprender de verdade é isso: ficar a espera, sempre. A maioria das vezes já consigo isso, e cada dia é um dia novo, uma vida nova para reaprender e refazer as coisas, acertar desta vez, acertar desta vez.

Conversando com uma sub uma vez eu disse que não gostava do meu dono e a Maquina, não gostava das cadelas virtuais. foi mais porque eu precisa externalizar esses sentimentos senão explodiria. ela perguntou: "Mas mesmo assim você fica ao lado dele esperando seus pedidos, certo?" juro que estou pensando nisso até agora. Porque eu me afasto? Deveria de verdade driblar ali qualquer sentimento e continuar perto Dele, esperando qualquer sinal para eu acertar. E toda vez que erro me obrigo a pedir desculpas, e não gosto de pedir desculpas. Não é porque não sou submissa o suficiente, é justamente pelo contrário, eu não gosto de errar. Meu Orgulho é positivo nesta parte, eu acho. Se eu não quero pedir desculpas eu vou ter que fazer direito.

Feedbacks são importantes, inclusive. preciso saber de verdade se estou acertando. Se é bom me afastar ou ficar perto e que hora isso deve acotecer. Não é trabalho para qualquer um uma relação BDSM. Ele precisa dizer o que é o que não é, e eu preciso trabalhar todas as coisas para melhorá-las. Grudenta ou Egoísta? Atenta ou Ciumenta? Obediente ou "namorada"? Ser ou Não Ser. Respostas, respostas.

Dias de chuva n´alma são ótimos para se arrepender de seus pecados, e fazer um retrospectiva do que fez de bem ou mal por Ele. Não acho que são ruins no final das contas - são ruins durante na verdade, em mim doem muito - e não deixam de ser um auto-castigo. Por isso o que Ele diz sempre importa, apesar de, as vezes, eu muito covardemente fazer cara de que acho o contrário.

By @jehP-[Parallax]

domingo, 12 de dezembro de 2010

"Filiais"

Este é um ótimo momento para falar deste assunto, visto que sumi do mapa para dar mais liberdade ao meu Dono de teclar com sua primeira sub não-oficial (leia-se oficial = 24/7, minha situação). Na verdade, como já tentei explicar no primeiro post, eu tenho que escolher muito bem as palavras que colocarei aqui.

Nunca, mesmo antes de ter um 24/7, eu nunca aceitei essa história de
  irmã. Houve uma época, com outra pessoa, que eu convivia com isso tranquilamente, mas até aí o sentimento também era diferente, era menor. E já vivi também os dois lados dessa moeda.

É muito fácil "entrar na roda", muito mais que "abrir a roda e deixar
  alguém entrar". Com meu Amo, já passei por essa situação numa convivência online com uma irmã, e quem sabe hoje eu a aceitaria completamente bem num menage, numa convivência real, até. Esta passagem de aceitação para dividir eu nunca passei, não a este nível de relacionamento.

Achava engraçado antes, quando em outra época eu procurava irmãs de
  coleira e ninguém aceitava. Mas era eu que estava abrindo mão de ter um dono só para mim. Mesmo assim, sempre negavam, de qualquer forma eu nunca discordei dessa posição. Acho que encontrei a parte baunilha do meu cérebro. CIÚME.

Até agora, a qual nível eu estaria sendo testada? Eu aqui, o vendo,
  assistindo suas iniciações. Diferente de eu lá, do outro lado do computador, lendo ele dizer sobre iniciar uma sub. E este nível de teste é mais pesado do que parece, visto que eu, um dia, estive na mesma situação que elas, "do outro lado da Máquina".

É muito óbvio meu papel, minha importância nessa convivência. Tenho as
  minhas vantagens, que com certeza cobrem a dor instantânea que eu sinto ao lembrar que tenho de aprender a derrubar meu ciúme. Não sei fazer isso e o melhor de tudo: meu orgulho não me deixa aprender. Há vezes em que quero puxar a ficha dela, há vezes que o barulhinho que anuncia ela online me afasta Dele. Me afasta para lhe dar Liberdade, para não ficar de cara feia (porque isso deve ser a ultima coisa que vou aprender: sorrir sangrando) ou responder com tom irônico e estúpido ao meu Dono. Aí quando quero puxar a ficha do ser eu tenho instintos domme e quero mais colocá-la num X e vê-la marcada, quero que me responda educadamente numa conversa, ou seja: ridículo.

É engraçado o que o ciúme faz, mas não é nada bom, me afasta Dele para
  não ser mal educada, para não ter que passar pela humilhação(humilhação) de sorrir e mandar recadinhos para a fulana. E o que menos quero é Lhe parecer chata, grudenta, ciumenta. São coisas que estou vendo pela primeira vez, não sei tratar isso, mas no fundo, no fundo, eu quero, porque não tem nada mais divino que ter o TEU CORPO, a TUA VOZ, o TEU CHEIRO PERTO DE MIM. Já passamos por muitas coisas, sei que isso não é nada. Vai passar, sempre passa. Porque eu te amo, meu Dono. Se é esta a situação a ser superada, se é seu desejo, também posso amá-lo, um dia. Que seja logo, que essa dor não me dá prazer.

By @jehP-[Parallax]

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

1º Post (jehP)


"Sinceramente, morri de medo que eu não fosse "lhe agradar", que eu não fosse submissa o suficiente ou que a fosse demais. Quando abria os olhos e estava ao seu lado, quando o senhor sussurrava no meu ouvido, eu voltava no tempo e me via deitada no seu colo, naquele parque, olhando os gatos pelos telhados".

Passaram-se meses desse dizer, uma declaração em e-mail. Hoje estou aqui, ouvindo de perto a voz do meu Amo, sentindo seu cheiro, seu toque, todas as noites, todos os dias... Sem medo de passar mais meses ou anos sem vê-lo, onde até a voz Dele me fazia triste com a distância. São Paulo, orgulho e medo foram, em grande parte, deixados para trás, para ter uma vida inteira com Ele. O Orgulho é o que mais teima em reaparecer, é o que deixa pesada e triste a convivência as vezes, o MEU Orgulho. O medo vem logo em seguida deste, somado ao arrependimento.

Antes eu me dizia tão sabida do BDSM, tão "adestrada", tão na linha. Eu sei sim, mas muito da teoria. Sei que o 24/7 é sonhado por praticamente todos desse meio, eu mesma não acreditava na possibilidade de se viver assim. Sei da teoria, sei o que está no papel, "o que se deve fazer". Mas é MUITO diferente da realidade. O papel dita o que deve existir, mas não diz como enganar teu ciúme, tua tristeza, teu querer.

No 24/7 eu tento controlar todos os meus sentimentos. Não significa que são falsos,significa que são postos sempre a uma altura submissa, visto que o tratamento baunilha tem sentimentos e vontades quites das partes. E quando os sentimentos e vontades vêm, por serem sempre medidos, eles são mais intensos. Principalmente tesão, felicidade, amor. Você sente que esse é o Dono do teu corpo, da tua alma e dos teus pensamentos, niguém sabe melhor como lhe dar o prazer que queres. A Felicidade de estar ao lado de alguém que te conhece mais que ninguém, de merecer estar ao lado dessa pessoa, por isso obedecer cada capricho do seu Dono, te faz amá-lo verdadeiramente, mais que a si mesma. E aí entra a submissão mais sincera que se pode ter.

É uma junção perfeita de sentimentos. Receber um beijo Dele, ou acordar ao seu lado são coisas únicas para se ganhar o dia, para começar a vida de novo, do zero. Me dá força para seguir, seja como ou quando for, importando que seja do Seu modo. E hoje, mais do que nunca, começo uma nova vida a cada dia, conquistando Sua companhia.


por jehP