domingo, 28 de novembro de 2010

24/7: um começo

Depois de alguns anos no BDSM, começo a experimentar o 24/7 (tão sonhado por alguns). Pelo que vejo não existe fórmula, mas quando se tem uma submissa realmente disposta a servir e com isso ser feliz, as coisas tendem a funcionar. Em breve pretendo me alongar sobre isso. Por hora, prefiro apenas viver essa experiência, explorando todas as suas possibilidades. Estou só começamdo...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Um encontro às escuras II

Quando meu Dono foi embora e tirei a venda dos olhos, minha cabeça girava e tive que apoiar-me na cama para não cair. Estava em êxtase total, feliz por tudo ter corrido da melhor forma possível e por ter conhecido um Dom maravilhoso. Ainda não sabia como ele era fisicamente e isso no momento era o que menos importava, pois seus atos e a sua forma carinhosa de me conduzir por caminhos do BDSM – que para mim eram quase totalmente desconhecidos – fizeram-me sentir extremamente confiante e cheia de expectativas.

Meu corpo ainda queimava de prazer, e ainda sentia seu cheiro nos lençóis e nos travesseiros. Deitei para descansar e acabei dormindo profundamente por umas duas ou três horas.

Quando acordei já era noite, estava atordoada e relembrando a experiência passada, achei que havia sonhado, que nada daquela loucura de prazer realmente tinha acontecido. Resolvi então tomar um banho para acordar. A sensação da água escorrendo pelo meu corpo foi deliciosa e foi realmente quando descobri que não havia fantasiado nada, tudo que aconteceu foi bem real, pois as marcas que ficaram em minha pele eram a prova disso.
Continuamos nos falando por telefone e MSN, agora, aquela voz já tinha um corpo. Corpo que me possuiu, que me submeteu aos seus caprichos e que me fez descobrir minha submissão. Queria encontrá-lo de novo, queria novas sensações, queria ser sua novamente. E marcamos um novo encontro...

No dia e hora marcados ele chegou, foi anunciado pelo porteiro, eu o esperava vendada no quarto, como da primeira vez. A adrenalina já não estava tão alta como da vez anterior, mas ainda sentia uma incrível ansiedade, meu coração batendo descompassado demonstrava toda minha insegurança perante aquele “ser”, um algoz que me torturaria e me faria sentir os mais deliciosos prazeres.

Desta vez, ele falou mais e sua voz penetrava em meus ouvidos como música, uma deliciosa melodia embalada pelos ritmos de uma sessão BDSM, mas regada de beijos, abraços, carinhos...Carinhos que perduram até hoje, e que se mesclam aos puxões de cabelo e chicotadas que recebo pelo corpo, mas que são bem-vindas, porque é assim que gostamos, é assim que nossas fantasias se tornam realidade.

Nosso segundo encontro foi mais um sucesso, fui presa, vendada, amordaçada, apanhei de chicote, com tapas; tudo que sempre desejei, e os orgasmos se sucederam um após outro. Meu Dono se mostrava cada vez mais tentador e de uma maldade que me deixava extremamente excitada. Eu queria ser Dele, usar sua coleira, ser sua submissa, mas a sessão terminou e Ele foi embora, mais uma vez acabei vendada e sozinha, embriagada pelo seu poder de sedução, envolta em fantasias e em completo êxtase...mas com um gostinho de ‘quero mais’ e a certeza de que um próximo encontro não tardaria a chegar. Apesar de não tê-lo visto, Ele já me era familiar. Aprendi a reconhecer seu cheiro, e seu gosto em minha boca com certeza ficaria por muito tempo...
(continua)


{Dama da Noite}

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Limites

Sempre que ouvia alguém dizer que os limites eram superados no BDSM, ficava em dúvida, achava que era um jargão desses Dons que adoram posar de “Senhores Únicos”.
Mas nada como a prática para mudar nossos conceitos ou simplesmente aprimorá-los. Agora compreendo a frase e concordo plenamente com ela, realmente nossos limites são
superados, mas para isso, exige-se paciência e compreensão por parte dos Dominadores.

Pra ser sincera, meus limites eram bem estreitos. Por exemplo, não me imaginava levando tapas no rosto ou mesmo, entre outras coisas, fazendo sexo anal. Esses eram os limites que sempre impunha em minhas negociações. Mas superei essas negativas, e isso devo ao meu Dono, que soube guiar-me e me fez descobrir prazer em atos que anteriormente julgava impossível de realizar, por resistência à ideia de sentir dor ou qualquer outro tipo de motivo.

Um obstáculo é superado pela sub quando há paciência e compreensão por parte daqueles que estão dominando, o que também não deixa de ser uma conquista, um troféu que deve ser empunhado com orgulho por ambos.
Meu Dono conseguiu que eu fosse além de minhas limitações, e o fez com muita maestria e sabedoria, o fez na medida certa, paulatinamente, através da conquista. Hoje, quando apanho no rosto, me sinto bem, mesmo porque sei que Ele se satisfaz com isso, e gosto Dele a ponto de lhe proporcionar tal prazer. E faço muitas outras coisas, porque sei que lhe causam satisfação, porque minha entrega é verdadeira, porque estou aqui para aprender e expandir meus limites mais e mais.

Sei também que ainda tenho muito a superar, e que sou eternamente grata ao meu Dono por me proporcionar estas experiências de superação. Experiências que foram transformando os atos que me constrangiam em puro prazer.

Só tenho a dizer mais uma coisa, superamos nossos limites desde que haja um bom motivo para tanto. O meu Dono me deu motivos de sobra para eu tentar superar os limites que Ele julga serem superáveis, simplesmente, porque sou absolutamente Dele, confio nos Seus atos, no Seu poder de sedução, de persuasão e no Seu jeito tão peculiar de me dominar...

Beijo enorme pra meu Dono querido...

Sempre sua...
{Dama da Noite}___Parallax

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Aquela





























Letra de uma canção dedicada a todas as Subs que por aqui passarem, em breve postarei uma versão demo dessa canção:

eu sou aquela
por quem não esperavas
eu sou aquela
que tu não procuravas
eu sou aquela
que nunca vais amar

eu sou aquela
que envolve tua alma
eu sou aquela
que te devolve a calma
aquela que te acalma

eu sou aquela
que podes maltratar
eu nunca me queixo
esse é o meu jeito
dizem meu defeito
mas tenho no peito
amor perfeito pra te dar

eu sou aquela
e podes esquecer
esse é o meu lugar

01-02/09/2008






sexta-feira, 18 de setembro de 2009

De flores e colibris

Você não se torna. Você abre a casca e deixa sair. Quando vê está batendo asas e aprendendo com o próprio ar. Cada ato é aprendizado e aprender com o erro alheio, que o vento segreda sorrateiro, conta muito. Então chega a hora de pousar numa flor, de escolher aquela que lhe prouverá com seu pólen e te encantará com suas cores. Flores maduras, que a vida carregam no colo há muito, que também foram sementes, que eram quase casulos, quase jaulas. E eis que estais liberto e rodeando essa flor. Talvez ambos não saibam muito sobre a vida e não tenham ouvido muito as lições dos ventos, das águas que correm subterrâneas e das gotas da chuva, talvez estejam libertos dos conselhos e dos maus conselhos e possam escolher aprender juntos, traçar seus próprios rumos e decidir como dividir seus frutos. Mas há flores que já sofreram os castigos das chuvas e de outros pássaros, Flores muitas vezes magoadas, perdidas no abismo do receio de abrir seus corações. Muitas vezes estas pobres flores não percebem as qualidades do pássaro que as rodeia e que deseja alimentar-se de seu pólen, de seus aromas. Flores que julgam na aparência jovial de um colibri a falta de experiência que nem mesmo pássaros calejados souberam demonstrar a elas. E nessa hora, resta ao jovem pássaro exercer a mais sábia lição que se pode aprender com os velhos ventos: a paciência. Pássaros novos tendem a pensar diferente dos mais velhos, tendem a ser considerados impulsivos e irresponsáveis. Acontece que os tempo mudam, a natureza muda, embora alguns desejos permaneçam. E a virtude desses novos pássaros será saber conjugar a autoridade do desejo com a conquista que só a paciência permite. Assim, quando for julgado inapto, por sua plumagem ainda brilhosa e por sua juventude exacerbada, como se isso fosse então um pecado ou uma desgraça, seja por parte de jovens flores que, ainda sem o tato da experiência, também não acreditam em seu potencial, seja pelas calejadas flores que pensam a todo momento em abandonar o jardim, por acreditar que o pássaro certo jamais irá se fazer presente, o jovem colibri deve apenas mostrar suas disposições, agindo com sinceridade e desapego, e deixar que o tempo mostre às flores que foi acerto ter se entregado aos seus cuidados ou erro tê-los rejeitados. Em suma, como cantam os ventos desde que o tempo iniciou-se, não é o tempo físico o tempo certo para a entrega e para o prazer, mas o tempo da alma, e quando duas almas, a de uma flor e a de um colibri, se encontram em sintonia, sejam filhos do mesmo dia ou de eras diferentes, nada pode impedir que o desejo seja consumado e que a fleicidade prospere no mais desvelado dos jardins, o jardim da alma.